Quando em meados de 1939 me pilhei sentado diante da máquina de escrever, em meio de algumas dezenas de livros sobre a Pré-História, procurando tirar deles elementos para uma fantasia novelesca em torno dos monstros antediluvianos cheguei de novo à conclusão de que mais tarde ou mais cedo o homem acaba satisfazendo os caprichos de menino...
Juntamente com a imagem de Joana d'Arc, a guerreira, povoavam meus sonhos de criança plesiossauros, dinossauros, perodáctilos, e outros, e creio que foi Conan Doyle que com o seu O Mundo Perdido fez que - sendo eu já adulto - meu interesse por aqueles monstros pré-históricos revivesse.
Procurei dar neste livro, destinado a leitores de todas as idades - leigos como eu na matéria - uma história compreensiva daqueles truculentos habitantes do mundo antediluviano. Tratei de açucarar a pílula, envolvendo a narrativa nos véus do romance e por sinal romance folhetinesco ao qual não faltam o mocinho, a mocinha e nem mesmo o homem mau, detentor duma hipoteca...
Ao dar a resenha das obras publicadas no Brasil em 1939, conhecido crítico mencionou Viagem à Aurora do Mundo como sendo um livro sensacionalista que o autor escrevera com o fito de ganhar dinheiro. Felizmente para mim não foi da mesma opinião o curador do Museu de História Natural da Universidade de Illinois, Estados Unidos, que me escreveu uma carta se mostrando entusiasmado com a obra e me pergunta qual foi a reação que a leitura provocou no público e na crítica brasileiros. Eis um tipo de curiosidade difícil de satisfazer. Porque, para falar a verdade, Viagem à Aurora do Mundo nem chegou a ter propriamente crítica entre nós. E quanto ao que pensa e sente o público, quem é que com certeza poderá saber?